Esboços de Leonardo Da Vinci (1475)
Nosso Patrono


Terumi Kera (1986)

Falar de Terumi Kera (1910 - 2003+) não é muito fácil quanto parece, afinal de contas foi uma trajetória de vida longa, um exemplo de pessoa, de coração grande, gostava de ajudar a todos, principalmente as pessoas mais carentes, gostava de estar sempre com os cabelos aparados, se vestir impecavelmente, pontualíssimo em seus compromissos fosse ele de lazer ou de negócios, muito cordial em receber visitas, nas minhas viagens de visitas a clientes por todo o interior do Estado de São Paulo sempre que podia me acompanhava para que eu não ficasse sozinho nessas empreitadas dando apoio para que tudo corresse tranqüilo.

Recém chegado ao Brasil iniciou a atividade de venda de trator e implementos agrícolas, depois de muitos anos de oficina mecânica, que contam ter sofrido um acidente e teve parte de seu corpo e braços queimados por fogo, posteriormente montou uma pequena oficina de estamparia, solda e manutenção de implementos agrícolas, tornando-se a Indústria Kera Ltda atual.

Terumi Kera e suas netas

Realizou também um de seus sonhos depois de muitos anos no Brasil voltou por duas vezes a sua terra natal em companhia de sua esposa, quando voltou dessas merecidas férias, trouxe as malas cheias de quinquilharias para seu pessoal e não esqueceu ninguém. Acredito que foi uma pessoa feliz pelas realizações, onde teve e viu seus filhos bem educados, formados, casados, logo vieram os netos e netinhas que completaram seu mundo. De seus netos e netas acompanhava a tudo, nas festinhas, nas formaturas lá ia ele todo orgulhoso com sua máquina fotográfica pegando todos os lances.

Quisera todos nós ter a saúde de ferro que tinha, dificilmente alguém pegava ele reclamando de dor ou que alguma coisa não estava bem, todos os dias logo cedo estava ele na fábrica, como dizia patrão é o primeiro que chega e o último que a sair. Enfrentou todas as dificuldades econômicas que o país viveu com mudanças de moedas várias vezes, troca de presidentes, governos e em seu leito hospitalar parecia que não queria entregar os pontos, até nesse momento difícil mostrou a vontade de viver.

Mas uma de suas invenções que ele nunca desistiu e sempre falava que antes de morrer iria realizar, era uma roda que girava por si só, tipo roda gigante que gira por gravidade sem nenhum tipo de motor ou dependesse de água, vento ou qualquer coisa parecida brincava que quando aquilo desse certo ele compraria o mundo, na fábrica ele tinha um cantinho todo especial que era só dele, lá ninguém entrava, todo mundo obedecia, perdemos a conta de quantas miniaturas de roda gigante ele fez, foram inúmeros nesse anos todos, e não é que a coisa girava mesmo, dava algumas voltas, mas parava e ele não desistia desse invento, falava que faltava pouco.
Gostava muito de desafios, quanto mais difícil melhor e sempre profetizava para nós que estávamos sempre por perto de que tudo na vida era possível fazer, copiar, melhorar, modificar porque tudo era feito pelo homem e que só não era possível desafiar aquilo que era feito por Deus.
Ao meu mestre e gênio que já nos deixa com saudades.

Sergio Sakasegawa
27/10/2003


Lâmpada de 20.000 a.C.

O moto contínuo é um sonho milenar da ciência, são incontáveis as tentativas de obter movimento (energia) do "nada", feitas por pessoas comuns e também por pessoas notáveis.
Já nos primórdios das civilizações (~3000 A.C.) tentou-se a lâmpada de luz eterna, que a rigor é um moto contínuo e na Idade Média foram feitas muitas tentativas de alquimia, como transmutar metais baratos em ouro; também se fala do elixir da juventude ou imortalidade. Moto contínuo, lâmpada eterna, imortalidade são sonhos da humanidade milenares.
Daí vem à pergunta, toda mutação da forma normal viver, é feito através de tentativa acerto/ erro ou às vezes por casualidade, quando ocorre a casualidade chamamos de mutação natural, que se descobre pela observação, quando ocorre por tentativa acerto/erro sempre tem um protagonista, que induz a descoberta, o motivo que pode ser amplo e desprovido de egoísmo ou egoísta com a intenção de ficar rico ou poderoso, mas esse não é o nosso foco, o foco é quem são estes protagonistas que são chamados de "inventores", estão em todo o comportamento do ser humano, mudando o universo que os acolhe, temos inconformados na engenharia, na política, na religião, ou seja, em todas as áreas do conhecimento.
Estas pessoas são normalmente anormais, pois tem um sonho a perseguir, que é mudar o normal e estabelecido, afinal o que o cristianismo é senão uma invenção social.
Nosso tributo é para estes humanos "escolhidos" que conseguem ou tentam mudar o cotidiano impulsionando a humanidade para um futuro desconhecido.
Pela referência histórica podemos dizer que este processo tem melhorado muito o bem estar do Homo Sapiens, pelo menos no aspecto material.

 


Da esquerda para a direita:
Modo Contínuo e
Várias tentativas da roda que girava sozinha

Trata-se de uma roda que tinha alguns pesos que giravam livremente, dentro da mesma roda, isto deveria "ludibriar"a gravidade de forma a vencer os atritos e assim obter movimento contínuo.
A foto exibida e a última versão. Existiram várias rodas ao longo de sua odisséia inventiva de 70 anos (morreu com 94 anos) esta foto ilustra o esforço dos últimos 20 anos e na foto "tentativa"pode-se ver a quantidade de tentativas feitas. Estima-se que fez mais de 3.500 (três mil e quinhentas) tentativas, os pesos interiores também foram feitos e balanceados inúmeras vezes, ou seja, o moto contínuo de Pompéia não funcionou, pois nos seus últimos tempos quando perguntado sobre o moto contínuo, sempre dizia que falta pouco, mas ele era especial pois se olharmos para a história veremos que a Terra foi plana por muitos milhares de anos, o corpo humano era intocável e não tinha sistema circulatório por muitos séculos, e o mundo terminara na coluna de Hércules (Gibraltar na Espanha) depois era infinitivo até que Cristóvão Colombo provar ao contrário.
O moto contínuo de Terumi Kera não funcionou porque o conceito estava errado, mas poderia ter funcionado, e teríamos um herói. O que provou o erro foi o método experimental de acerto/erro.
Quem sabe alguém no futuro poderá retornar sua idéia e fazer funcionar, afinal o 14 bis voou ao contrário do avião atual (Veja Carlos Drumont)

F.C. Batet
10/11/2003


Terume - 1946

Em 1950 veio para Pompéia como mecânico na agencia Chevrolet onde trabalhou por vários anos.

Em 1960 sofreu um acidente onde queimou parte do corpo.

Em 1963 montou a indústria Kera, fazendo várias maquinas.

Em 1964 máquina para bater amendoim foi até patenteada.

Distribuidor de ração

Em 1970 construiu um distribuidor de ração. Neste mesmo ano iniciou os experimentos da roda que vira sozinha.

Em 1972 construiu uma roda de alumínio de +/ - 1,7m de diâmetro. Neste invento trabalhou pelo menos 3 anos.

Em 1976 passou procuração para sua filha Celina, de onde os negócios tomou o rumo da realidade.

Em 1979 dedicou-se de tempo, praticamente integral, fazendo várias rodas possivelmente umas 5 anteriores a foto. Gostava muito de coisas cientificas, lia muito, era participativo não perdia uma feira de ciência participando, uma de sua amostra que chamou a atenção era a roda que subia o plano inclinado (ilusão de ótica), fazia brinquedos para crianças, patinetes etc. Inclusive construiu uma bicicleta personalizada para sua filha (não existia bicicleta para sua pouca altura).

Em 1978, a indústria Kera muda para o Distrito Industrial aonde foi contruído um espaço para seu "invento" pode-se dizer que trabalhou dias após dia durante 20 anos fazendo tentativas, uma atrás da outra até a sua morte no ano de 2003 com 93 anos.

Terumi e sua companheira
Terumi e sua moto
Terumi e seu amigo
Terumi e seus equipamentos
Terumi - 1968

Nossa homenagem ao Terumi Kera, pois se não existissem os "inventores" provavelmente seríamos seres "primatas" recolectores, com uma expectativa de vida em torno de 25 anos.