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Terumi
Kera (1986)
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Falar
de Terumi Kera (1910 - 2003+) não é muito
fácil quanto parece, afinal de contas foi uma trajetória
de vida longa, um exemplo de pessoa, de coração
grande, gostava de ajudar a todos, principalmente as pessoas
mais carentes, gostava de estar sempre com os cabelos aparados,
se vestir impecavelmente, pontualíssimo em seus compromissos
fosse ele de lazer ou de negócios, muito cordial
em receber visitas, nas minhas viagens de visitas a clientes
por todo o interior do Estado de São Paulo sempre
que podia me acompanhava para que eu não ficasse
sozinho nessas empreitadas dando apoio para que tudo corresse
tranqüilo.
Recém chegado ao Brasil iniciou a atividade de venda
de trator e implementos agrícolas, depois de muitos
anos de oficina mecânica, que contam ter sofrido um
acidente e teve parte de seu corpo e braços queimados
por fogo, posteriormente montou uma pequena oficina de estamparia,
solda e manutenção de implementos agrícolas,
tornando-se a Indústria Kera Ltda atual.
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Terumi
Kera e suas netas
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Realizou
também um de seus sonhos depois de muitos anos no
Brasil voltou por duas vezes a sua terra natal em companhia
de sua esposa, quando voltou dessas merecidas férias,
trouxe as malas cheias de quinquilharias para seu pessoal
e não esqueceu ninguém. Acredito que foi uma
pessoa feliz pelas realizações, onde teve
e viu seus filhos bem educados, formados, casados, logo
vieram os netos e netinhas que completaram seu mundo. De
seus netos e netas acompanhava a tudo, nas festinhas, nas
formaturas lá ia ele todo orgulhoso com sua máquina
fotográfica pegando todos os lances.
Quisera todos nós ter a saúde de ferro que
tinha, dificilmente alguém pegava ele reclamando
de dor ou que alguma coisa não estava bem, todos
os dias logo cedo estava ele na fábrica, como dizia
patrão é o primeiro que chega e o último
que a sair. Enfrentou todas as dificuldades econômicas
que o país viveu com mudanças de moedas várias
vezes, troca de presidentes, governos e em seu leito hospitalar
parecia que não queria entregar os pontos, até
nesse momento difícil mostrou a vontade de viver.
Mas uma de suas invenções que ele nunca desistiu
e sempre falava que antes de morrer iria realizar, era uma
roda que girava por si só, tipo roda gigante que
gira por gravidade sem nenhum tipo de motor ou dependesse
de água, vento ou qualquer coisa parecida brincava
que quando aquilo desse certo ele compraria o mundo, na
fábrica ele tinha um cantinho todo especial que era
só dele, lá ninguém entrava, todo mundo
obedecia, perdemos a conta de quantas miniaturas de roda
gigante ele fez, foram inúmeros nesse anos todos,
e não é que a coisa girava mesmo, dava algumas
voltas, mas parava e ele não desistia desse invento,
falava que faltava pouco.
Gostava muito de desafios, quanto mais difícil melhor
e sempre profetizava para nós que estávamos
sempre por perto de que tudo na vida era possível
fazer, copiar, melhorar, modificar porque tudo era feito
pelo homem e que só não era possível
desafiar aquilo que era feito por Deus.
Ao meu mestre e gênio que já nos deixa com
saudades.
Sergio
Sakasegawa
27/10/2003

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Lâmpada
de 20.000 a.C.
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O moto contínuo é um sonho milenar da ciência,
são incontáveis as tentativas de obter movimento
(energia) do "nada", feitas por pessoas comuns
e também por pessoas notáveis.
Já nos primórdios das civilizações
(~3000 A.C.) tentou-se a lâmpada de luz eterna, que
a rigor é um moto contínuo e na Idade Média
foram feitas muitas tentativas de alquimia, como transmutar
metais baratos em ouro; também se fala do elixir
da juventude ou imortalidade. Moto contínuo, lâmpada
eterna, imortalidade são sonhos da humanidade milenares.
Daí vem à pergunta, toda mutação
da forma normal viver, é feito através de
tentativa acerto/ erro ou às vezes por casualidade,
quando ocorre a casualidade chamamos de mutação
natural, que se descobre pela observação,
quando ocorre por tentativa acerto/erro sempre tem um protagonista,
que induz a descoberta, o motivo que pode ser amplo e desprovido
de egoísmo ou egoísta com a intenção
de ficar rico ou poderoso, mas esse não é
o nosso foco, o foco é quem são estes protagonistas
que são chamados de "inventores", estão
em todo o comportamento do ser humano, mudando o universo
que os acolhe, temos inconformados na engenharia, na política,
na religião, ou seja, em todas as áreas do
conhecimento.
Estas pessoas são normalmente anormais, pois tem
um sonho a perseguir, que é mudar o normal e estabelecido,
afinal o que o cristianismo é senão uma invenção
social.
Nosso tributo é para estes humanos "escolhidos"
que conseguem ou tentam mudar o cotidiano impulsionando
a humanidade para um futuro desconhecido.
Pela referência histórica podemos dizer que
este processo tem melhorado muito o bem estar do Homo Sapiens,
pelo menos no aspecto material.

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Da
esquerda para a direita:
Modo Contínuo e Várias
tentativas da roda que girava sozinha
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Trata-se
de uma roda que tinha alguns pesos que giravam livremente,
dentro da mesma roda, isto deveria "ludibriar"a
gravidade de forma a vencer os atritos e assim obter movimento
contínuo.
A foto exibida e a última versão. Existiram
várias rodas ao longo de sua odisséia inventiva
de 70 anos (morreu com 94 anos) esta foto ilustra o esforço
dos últimos 20 anos e na foto "tentativa"pode-se
ver a quantidade de tentativas feitas. Estima-se que fez
mais de 3.500 (três mil e quinhentas) tentativas,
os pesos interiores também foram feitos e balanceados
inúmeras vezes, ou seja, o moto contínuo de
Pompéia não funcionou, pois nos seus últimos
tempos quando perguntado sobre o moto contínuo, sempre
dizia que falta pouco, mas ele era especial pois se olharmos
para a história veremos que a Terra foi plana por
muitos milhares de anos, o corpo humano era intocável
e não tinha sistema circulatório por muitos
séculos, e o mundo terminara na coluna de Hércules
(Gibraltar na Espanha) depois era infinitivo até
que Cristóvão Colombo provar ao contrário.
O moto contínuo de Terumi Kera não funcionou
porque o conceito estava errado, mas poderia ter funcionado,
e teríamos um herói. O que provou o erro foi
o método experimental de acerto/erro.
Quem sabe alguém no futuro poderá retornar
sua idéia e fazer funcionar, afinal o 14 bis voou
ao contrário do avião atual (Veja Carlos Drumont)
F.C.
Batet
10/11/2003

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Terume
- 1946
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Em
1950 veio para Pompéia como mecânico na agencia
Chevrolet onde trabalhou por vários anos.
Em 1960 sofreu um acidente onde queimou parte do corpo.
Em 1963 montou a indústria Kera, fazendo várias
maquinas.
Em 1964 máquina para bater amendoim foi até
patenteada.
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Distribuidor
de ração
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Em
1970 construiu um distribuidor de ração. Neste
mesmo ano iniciou os experimentos da roda que vira sozinha.
Em 1972 construiu uma roda de alumínio de +/ - 1,7m
de diâmetro. Neste invento trabalhou pelo menos 3
anos.
Em 1976 passou procuração para sua filha Celina,
de onde os negócios tomou o rumo da realidade.
Em 1979 dedicou-se de tempo, praticamente integral, fazendo
várias rodas possivelmente umas 5 anteriores a foto.
Gostava muito de coisas cientificas, lia muito, era participativo
não perdia uma feira de ciência participando,
uma de sua amostra que chamou a atenção era
a roda que subia o plano inclinado (ilusão de ótica),
fazia brinquedos para crianças, patinetes etc. Inclusive
construiu uma bicicleta personalizada para sua filha (não
existia bicicleta para sua pouca altura).
Em 1978, a indústria Kera muda para o Distrito Industrial
aonde foi contruído um espaço para seu "invento"
pode-se dizer que trabalhou dias após dia durante
20 anos fazendo tentativas, uma atrás da outra até
a sua morte no ano de 2003 com 93 anos.